

As Irmãs Fox
O texto abaixo, que trata da história das Irmãs Fox, nos foi enviado por Rodrigo Farias
extraido do boletim "Gotas de Luz".
Sua publicação original foi no jornal "Folha Espirita" de outubro de 1995
150 ANOS DO EPISÓDIO DE HYDESVILLE
por Karl W. Goldestein
A FAMÍLIA FOX
Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em modesta casa no vilarejo
de Hydesville, Estado de New York, distante cerca de 30 km da cidade de
Rochester.
O nome da família Fox origina-se do sobrenome Voss, depois
Foss e finalmente Fox. Eram de origem alemã, da parte paterna; e francesa,
holandesa e inglesa, da parte materna. Seus antecessores foram notoriamente
dotados de faculdades paranormais.
O grupo compunha-se do chefe da
família, Sr. John D. Fox, da esposa D. Margareth Fox e mais duas filhas; Kate,
com 7 anos e Margareth, com 10 anos. O casal possuia mais filhos e filhas. Entre
estas, convém destacar Leah, que morava em Rochester, onde lecionava música.
Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Mrs. Fisch, Mrs.
Brown e Mrs. Underhill.
Leah escreveu um livro, "The Missing Link", New
York, 1885, no qual ela faz referência as faculdades paranormais de seus
parentes anteriores.
Inicialmente, tomaram parte nos acontecimentos somente
Kate e Margareth, mas posteriormente Leah juntou-se a elas e teve participação
ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville.
A CASA DE HYDESVILLE JÁ ERA
ASSOMBRADA
Lucretia Pulver era jovem que servira como dama de
companhia do casal Bell, quando elas habitavam a referida casa até 1846. Ela
contou uma curiosa história de um mascate que se hospedara com os Bells. Na
noite em que o vendedor passou com aquele casal, Lucretia foi mandada a dormir
na casa dos pais. Três dias depois tornaram a procurá-la. Então disseram-lhe que
o mascate fora embora. Ela nunca mais viu esse homem.
Depois disso,
passado algum tempo, aproximadamente em 1844, começaram a dar-se fenomenos
estranhos naquela casa. A mãe de Lucretia, Sra. Ann Pulver, que mantinha
relações com a família Bell, relata que, em 1844, quando visitara a Sra. Bell,
indo fazer tricô em sua companhia, ouvira desta uma queixa, Disse-lhe que se
sentia muito mal e quase nao dormia à noite. Quando lhe perguntou qual a causa,
a Sra. Bell declarou que se tratava de rumores inexplicáveis; parecera-lhe ter
ouvido alguém a andar de um quarto para outro; acordou o marido e fe-lo
levantar-se e trancar as janelas. A princípio, tentou afirmar à Sra. Pulver que
possivelmente se tratasse de ratos. Posteriormente, confessou não saber qual a
razão de tais rumores, para ela inexplicáveis.
A jovem Lucretia Pulver
também testemunhou os fenômenos insólitos observados naquela casa.
Os
Bells terminaram por mudar-se.
Em 1846, instalou-se ali a família
Weekman: Sr. Michael Weekman, Sra. Hannah Weekman e suas filhas. Alguns dias
após terem-se alojado na referida casa, passaram a ser perturbados por ruídos
insólitos: batidas na porta da entrada, sem que ninguém visível o estivesse
fazendo; passos de alguém andando na adega ou dentro de casa.
A família
Weekman, como era de esperar-se, não permaneceu muito tempo naquela casa
sinistra. Em fins de 1847 deixou-a vaga, saindo de lá definitivamente.
Desse modo, atingimos a data de 11 de dezembro de 1847, quando a
referida casa passou a ser ocupada pela família Fox, conforme já mencionamos no
início deste artigo.
A NOITE DAS
PRIMEIRAS TRANSCOMUNICAÇÕES
Inicialmente os Fox não sofreram
nenhum incômodo em sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais
precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que
perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se outra vez. Eram
batidas leves, sons semelhantes aos arranhões nas paredes, assoalhos e móveis,
os quais poderiam perfeitamente ser confundido com rumores naturais produzidos
por vento, estalos do madeiramento, ratos, etc. Por isso a família Fox não
deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretando, tais ruídos cresceram
de intensidade, a partir de meados de março de 1848. Batidas mais nítidas e sons
de arrastar de móveis começaram a fazer-se ouvir, pondo as meninas em
sobressalto, ao ponto de negarem-se a dormir sozinhas no seu quarto, e passarem
a querer dormir no quarto dos pais. A princípio os habitantes da casa, ainda
incrédulos quanto à possível origem sobrenatural dos ruídos, levantavam-se e
procuravam localizar a causas natural dos mesmos.
Na noite de 31 de
março de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito forte e continuados. Aí,
então, deu-se o primeiro lance do fantástico episódio, que ficou como um marco
inamovível na história da fenomenologia paranormal. A garota de sete anos de
idade - a Kate Fox - em sua espontaneidade de criança teve a audácia de desafiar
a "força invisível" a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as
mãos! A resposta foi imediata, a cada estalo um golpe era ouvido logo a seguir!
Ali estava a prova de que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea.
Para apreciar-se bem o sabor desta incrível aventura, vamos transcrever alguns
trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox.
"Na noite de sexta-feira, 31
de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos
deixamos perturbar pelos barulhos; íamos ter uma noite de repouso. Meu marido
que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisar.
Naquela noite fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tal
alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não
tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas
me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu distinguia de qualquer
outro ruído jamais ouvido. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto,
ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos.
Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Senhor Pé Rachado, Faça o que
eu faço." Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando
ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: "Agora faça
exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os
ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate
disse, na simplicidade infantil: "Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanhã é
primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira."
"Então pensei em
fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas
as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata
idade de cada um, fazendo pausa de um para outro, a fim de separar, até o
sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram
dadas, correspondendo a idade do menor, que havia morrido.
"Então
perguntei: Eh um ser humano que me responde tão corretamente? Não houve
resposta. Perguntei: É um espírito? Se for, de duas batidas. Duas batidas foram
ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: Se for um espírito assassinado
dê duas batidas. Essas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na
casa. Pergutei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A
pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo
mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinaram nesta casa e os
seus despojos enterrados na adega; que a família era constituída de esposa e
cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte,
mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuará a bater se
chamarmos os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi
alta."
Desse modo foram chamados vários vizinhos, os quais por sua vez
convocaram outros, de maneira que, mais tarde e nos dias subseqüentes, o número
de curiosos era enorme. Naquela noite compareceram o Sr. Redfield, o Sr. e Sra.
Duesler e os casais Hyde e Jewell.
"Mr. Duesler fez muitas perguntas e
obteve as respostas. Em seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar,
e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não obtive resposta. Após
isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: Foi
assassinado? Resposta afirmativa. Seu assassino pode ser levado ao tribunal?
Nenhuma resposta. Pode ser punido pela lei? Nenhuma resposta. A seguir disse: Se
seu assassino não pode ser punido pela lei de sinais. As batidas foram ouvidas
claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido
assassinado no quarto do leste, a cinco anos passado, e que o assassínio fora
cometido à meia noite de uma terça-feira, por Mr......; que fora morto com um
golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo havia sido enterrado; tinha
passado pela dispensa, descido a escada e enterrado a dez pés abaixo do solo.
Também foi constatado que o móvel fora dinheiro.
"Quanta a quantia: cem
dólares? Nenhuma resposta. Duzentos? Trezentos? etc. Quando mencionou quinhentos
dólares as batidas confirmaram.
"Foram chamados muitos dos vizinhos que
estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesma perguntas e respostas.
Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido
ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou
superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons, mas ao anoitecer recomeçaram.
Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo os ruídos
foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa".
Estes
são os principais trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox, que mais nos
interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na
sinistra noite de 31 de março de 1848.
AS
ESCAVAÇÕES NA ADEGA
Os mais interessados em esclarecer o caso
resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto
assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas
produzidas, chegaram à identidade da vítima. Tratava-se de um mascate de nome
Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, há quatro anos passado,
fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo
inquilino. Só poderia ter sido o Sr. Bell... Mas onde a prova do fato, o cadáver
da vítima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria
enterrado.
As escavações, porém, não levaram a resultados definitivos,
pois deram n'água, sem que se tivessem encontrado quaisquer indício. Por essa
razão foram suspensas.
No verão de 1848, o próprio Sr. David Fox
auxiliado por alguns interessados retomou o empreendimento. A uma profundidade
de um metro e meio, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram o
carvão, cal, cabelos e alguns fragmentos de ossos que foram reconhecidos por um
médico como pertencentes a esqueleto humano; mais nada.
As provas do
crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o Sr. Bell não foi
denunciado.
A DESCOBERTA DO
ESQUELETO
Em o número de 23 de novembro de 1904, do Boston
Journal, foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem cujo Espírito se
supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Meninos de
uma escola achavam-se brincado na adega da casa onde moravam os Fox. A casa
tinha fama de ser mal-assombrada. Em meio aos escombros de uma parede - talvez
falsa - que existira na adega, os garotos encontraram as peças de um esqueleto
humano.
Junto ao esqueleto foi achada uma lata de uma espécie costumeira
usada por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lilydale, a sede central
regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada a velha casa
de Hydesville.
Como pode ver-se, cinquenta e seis anos depois, em 22 de
novembro de 1904 (data do encontro do esqueleto do mascate), parece não haver
dúvida de que foram confirmadas as informações obtidas em 1848 a respeito do
crime ocorrido naquela casa. Este episódio constitui-se em um notável caso de
TCD (transcomunicação direta). As evidências são muito fortes.
O MOVIMENTO ESPALHA-SE
As duas garotas,
Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois suspeitava-se que os
fenômenos eram ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com
seu irmão David Fox. A Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua
irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em
acompanhar as irmãs Fox; onde elas se achavam, ocorriam os fenômenos. Parece que
agora se observava uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha,
passou a apresentar também os mesmos fenômenos. Logo mais, começaram a surgir em
outras famílias:
"Era como uma nuvém psíquica, descendo do alto e se
mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Rev.
A.H.Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos
físicos irromperam na família do Diacono Hale, de Greece, cidade vizinha de
Rochester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs. Benedict de Auburn,
desenvolveram notável mediunidade (...)".
O movimento espalhar-se-ia,
mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações
através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis insistiram para que se
fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. Era
uma nova mensagem que vinha do mundo dos Espíritos, conclamando os homens para
uma outra posição filosófico-religiosa.
"SPIRITUALISMO" E ESPIRITISMO
A "Onda Espiritualista" passou da América para a Europa, cujo
terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento científico,
e onde os fenômenos de TC (transcomunicação) iriam ser estudados
mais tarde, com rigor e profundidade pelos fundadores da "Psychical
Reserch" e da Metapsiquica.
A forma bastante comum sob a qual a manifestações de TC
(transcomunicação) se apresentaram na Europa, foi a das "mesas
girantes". Vamos focalizar mais adiante e resumidamente esse
período, do qual tambem se originou o Espiritismo na França, gracas
às investigações científicas e ao método didático do ilustre
intelectual lionês, Denizard Hypplite Leon Rivail (Allan Kardec).
Nunca é supérfluo enfatizar que não se deve confundir o
"Spiritualism" com o espiritismo. O primeiro nasceu como um
movimento popular, provocado por evidências a favor da crença na
existência, sobrevivência e comunicabilidade do Espírito.
Posteriormente o "Spiritualism"adquiriu a forma de um religiao
organizada que aspira, também, ser uma Ciência e uma Filosofia.
Agora, um ponto importante: o "Spiritualism" não incorporou a idéia
da reencarnação. Ele admite apenas a continuidade da vida após a
morte, sem inferno ou céu, porém em contínuo aprendizado e evolução
no "Mundo Espiritual".
Há algumas diferenças entre os princípios básicos do
"Spiritualismo" e do Espiritismo. A mais profunda é a questão da
"reencarnação". O Espiritismo não só aceita o renascimento, como
admite a Lei do Carma, considerando serem estes os fatores naturais
da evolução do Espírito. Embora Allan Kardec, o codificador da
Doutrina Espírita, considere Sócrates e Platão como os precursores
da idéia cristã e do Espiritismo, a sua atenção para a realidade da
comunicação dos Espíritos foi despertada pelo fenômeno das "mesas
girantes".
REPERCUSSÃO ENTRE INTELECTUAIS
A partir do episódio das irmãs Fox, a transcomunicação, aqui no
ocidente, passou atrair a atencao de um pequeno grupo de cientistas.
Inicialmente, tais investigadores achavam-se, em sua maioria,
imbuidos de forte cepticismo acerca do fenômenos paranormais que
passaram a ganhar popularidade inusitada na Europa. Somente a
curiosidade diante da estranheza de tais ocorrências conseguiu levar
esses poucos cientistas a observá-las. Logo no começo da fase, as
pesquisas conduziram à formação de três categorias de pessoas,
conforme suas opiniões acerca da natureza dos referidos fenômenos.
O primeiro grupo consistiu nos que viram nesses fatos uma
confirmação de suas crencas na sobrevivência, na comunicabilidade e
progresso dos Espíritos. A natureza do homem, para eles, era dual,
e continha um componente espiritual além do material. Desta
interpretação, surgiu um aspecto religioso como decorrência imediata
do reconhecimento da natureza espiritual da criatura humana. O
"Spiritualism", na Inglaterra, e o Espiritismo, na França, são
exemplos dessa interpretação, embora ambos reivindiquem, também,
para suas doutrinas, os aspectos filosóficos e científicos.
Um segundo grupo constituiu-se, em sua maioria, por cidadãos de
acentuado interesse científico. Alguns já eram cientistas
profissionais, professores e investigadores em diversas áreas de
conhecimento teórico e prático. Outros, com títulos e formação
superior, embora nao especialistas em disciplinas científicas,
sentiram-se também interessados em investigar de maneira racional os
referidos fatos, denominados, na época, "fenômenos psiquicos". Daí
a designação usual desta atividade: "Psychical Research" (Pesquisa
Psiquica). Na França, Charles Richet deu-lhe outro nome:
"Metapsiquica".
No segundo grupo, figuravam, indistintamente, os espiritualistas, os
indiferentes e os materialistas. Apenas os seguintes objetivos
pareciam movê-los: confirmar ou negar os propalados fenômenos e, no
caso afirmativo, descibrir a sua real causa eficiente.
Finalmente, um terceiro grupo, compreendendo a maioria dos
interessados, colocou-se em franco antagonismo relativamente aos
dois primeiros. Compunha-se de cientistas, intelectuais em geral,
jornalistas e pessoas comuns. Alguns eram fieis ou chefes de
religiões instituídas. Grande número desses cidadãos, especialmente
os intelectuais, achava-se impregnado de filosofias materialistas e
havia absorvido as ideias positivistas. Revelaram-se profundamente
céticos e procuraram liquidar com a crença nos aludidos fenômenos.
Para eles, os fenômenos paranormais eram manifestações de
superstição, ilusões e fraudes, ou alienação mental. Para alguns
religiosos, poderiam ser armadilhas do "demônio", ou tentativas de
indivíduos mal intencionados que visavam abalar as bases das
religiões tradicionais. Outros chegavam a acreditar que se tratava
da revivescencia da Magia e do Ocultismo, numa tentativa de dominio
de opinião pública.
CONCLUSÃO
Foi neste clima que se desenrolaram as dramáticas transcomunicações,
cuja iniciativa, ao que parece, partiu do Plano Espiritual. As
manifestações mais em evidência foram as chamadas "Mesas Girantes".
Este episódio inaugurou o Período Espíritico, conforme a
classificação de Charles Richet. Segundo este sábio, tal período
vai das irmãs Fox ate as pesquisas de Sir Willian Crookes, em 1872.